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18 de Agosto de 2010

50 anos sem auto-estima...

No dia 21 de abril nós brasilienses e também os que, de coração, adotaram essa cidade e se sentem candangos de verdade, comemoramos, no raiar das doze horas, o aniversário da cidade que nos acolheu.

Em 2010 teremos uma comemoração especial, são 50 anos, meio século.

É... Brasília já é uma quase senhora. Já está na meia idade. Por 26 anos partilhei com meus irmãos e vizinhos esta cidade. Fizemos e fazemos, a cada dia, a Capital da esperança se tornar a Capital do presente.

Nesses 26 anos em que divido este céu com a minha mãe, que há quase 35 anos escolheu o ponto maior do cerrado para fazer do dia hora de trabalho e da noite hora de descanso, um lugar de brincadeira e de trabalho. Aprendi a admirar a cidade que acolheu a minha família e que acolhe todos os dias gente que, com a esperança perdida, encontra aqui a oportunidade de retomá-la.

Esse artigo não foi pensado só para elogiar a cidade de ruas largas, mas sim para dividir a minha angustia em comemorar o cinqüentenário da minha cidade. Cidade da alegria que tem corrupção sem graça.

Uma festa que poderia ser inesquecível, agora não consegue levantar a nossa auto-estima. Nas férias fomos surpreendidos por quem, anos e anos abrigou, “por segurança”, maços de dinheiro nas meias, cuecas e bolsas, pelos que voltaram para fechar a porta, que oraram e agradeceram, usando a fé, sentimento mais nobre dos brasileiros.

Ficamos estarrecidos ao ligar a televisão e assistir tanto descaso e desleixo com o dinheiro publico e, sem precisar mudar o canal, acompanhar o sofrimento das pessoas que nos corredores do Hospital de Base, HRAN, Hospital da Ceilândia, de Taguatinga e tantos outros cada dia mais sucateados. Assistimos ao descaso sem disfarce, pronto para qualquer um ver. E a desculpa? A mesma de sempre: Não tem verba.

Assim, ficamos sem entender o óbvio. Por que o concreto é mais importante que a pessoa?

Ao mesmo tempo em que políticos abrigavam maços de dinheiros nas meias, cuecas e bolsas. Margareths, Terezas, Cristinas, Marias, Joões e tantos outros cidadãos, brasilenses ou não, esperavam com ansiedade, o retorno do médico com a confirmação ou não da tão necessária e esperada cirurgia.

Temos mesmo o que comemorar? De fato vivemos numa bela cidade que nos acolheu e ainda acolhe, mas e o compromisso usado nos juramentos por nossos representantes? O compromisso “de defender a pátria, ser honesto” ficou somente nas palavras? E nós, cidadãos brasilienses devemos fechar os olhos diante de tão lastimável episódio, olhar para frente e continuar acreditando que a esperança da cidade sonhada por JK não morreu e não morrerá?

Acredito nas orações e peço que as palavras de Dom Bosco se cumpram e que a nossa cidade, antes de comemorar seu cinquentenário, possa vir a aplaudir o tão sonhado compromisso com ética, a justiça, a honestidade e a transparência dos seus representantes.

Michel Platini – Jovem de 26 anos – interprete de LIBRAS – Coordenador de comunicação do FAPED, Conselheiro no Conselho de Direitos Humanos/Saúde do DF – Militante no segmento de pessoas com deficiência. 

 

 

30 de Maio de 2010



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Michel Platini - Telefone: (61) 8141-3113 (Operadora Oi)
E-mail: michelplatini@michelplatini.com.br